quarta-feira, junho 16, 2010

anti-epitáfio de um quase-amor

O fim é tanto. Quase esqueço
que bem mais é um recomeço.
Então, que o fim do que fomos
-esse avesso-
seja inteiro, não em tomos
e nos dê acesso
ao que não sou nem és,
mas somos.

sexta-feira, março 19, 2010

O MISTÉRIO DO CORAÇÃO NA VITRINE

Um crime.
Observei e, se movendo, tranquila e firme,
seu corpo disse o que não se exprime.

-Passional. Como num filme,
expôs o peito numa vitrine.
Mas, sem forma ou som,
de quem desconfiar?

Elementar,
meu caro Watson...
Verine.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

nada novo sob o sol

o alicerce lógico do soteropolitano é a pobreza.
nosso metro, a inveja.
nosso objetivo transcendental, entre ser e parecer: enriquecer.
nossos meios: meios termos.
nossa felicidade tem dentes cariados.
para além disso, nada novo sob o sol.

sexta-feira, novembro 13, 2009

Pretensões (às Charlatinhas e Charlatões)

Minha poesia não quer comer ninguém (ainda q eu queira)
nem salvar o mundo (nem mesmo alguém)
nem contribuir estéticamente
(ou obstruir estáticamente)
nem elogiar
nem negligenciar
nem expressar sentimentos
nem afiar ressentimentos
nem fama
nem plumas e paetês
nem grana
nem dizer os por quês
nem guiar operários
nem cumprir metas
ou itinerários
ela não quer ser nada.
e é tudo.

quinta-feira, novembro 05, 2009

Fernanda Santiago (Poema de Amor)

tudo que te escrevo perece
(nenhum poema, meu, te merece)
mas sei do que minha alma carece:
silencio paz (e prece?)

talvez, um dia, eu regresse.

sábado, outubro 03, 2009

tô amando. ah!!

temendo: eu.
me tomando: ela.
tô moído, seu
aqui e a colar
pedaços
a pisar seus passos
a perder e recuper
ar
- me
em seu abraço
de tamanduá.

quinta-feira, março 12, 2009

sábado, fevereiro 07, 2009

ui!!

a carne engrossa
na topada.
a pele cala.
eu não me calo.
a pele, calo
e não me cala.
(ainda sei sofrer).

quarta-feira, janeiro 21, 2009

DietÉtica

reeducar
a alma
caduca:
desarmar
lá de dentro
a arapuca.
desamar
quem não for
mestre Cuca.
Apostar
já q a vida
é sinuca.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

meu filho.

de mim e nela
um elo.
nosso paralelo
para além.
um vago alguém
um trêm: vagões q nos contém
em seu avante
e nossos mais distantes antes.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

presente de gregorio

palavras bonitas não embelezam um fato
cagar ou defecar convergem no mesmo ato
do rei ao esmoler, do padre ao camelô
os de penis fodem, os de pica fazem amor

terça-feira, janeiro 06, 2009

Israel, és real? (Judia de mim)

Aquele que leva a vida a caçar monstros deve cuidar de si para não tornar a si mesmo um monstro.
E quando se olha tempo demais para o abismo, o abismo lhe retorna o olhar.



Friedrich Nietzsche
a faixa de Gaza
as faixas de gaze.
a paz não bombou:
bobeou? pelos ares!!
levando seus pares
e meias
verdades.
As dores q sinto: as dores q causo.
o calo q aperta:
- São meus os q calço?
Abri-te a ferida, meu sangue não cessa.
Terra prometida?
ficou na promessa.

.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Poema rápido pra Ilka

passou por mim, deixou o pó.
coelho, cão, amor ou ema?
não vi, não sei quem fez
na tez, em mim, poema

Adorno Laureado

me mantém d'esperto
bem perto dos dedos num braile dançante.
amantes de noites, fisgados na rede
eu sou heavy, ela é rave
(um inverso de rimas)
eu, o mano em Grajaú
ela, o ímã, Apolo Sul.
se ela ama, em pronta-entrega
sou o olho que examina.
sou café, nem todo amargo.
ela, doce: anfetamina.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

do pó ao posso

poeta sem um puto
"Prazer, Sola, sou a Estrada."
viajante com escorbuto
"Meu salário? Madrugada!"

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Cadilac



Lá vem ela!!

Saiam já da grade,

vão rachar as canecas!!!

Não sei não...

Segurem os olhos,

Ai meu Deus,

Rebelião!!!

sábado, novembro 29, 2008

RUMOS E MUROS (Pra Id Ego)

ele quis o poema duro
q, claro, brilhasse no escuro
eu, cem rumos, só muros no Ser
certas luzes apago pra ver.
lanço setas de cético
ele asceta (sem oscar)
um, bucal anti-séptico
outro, o hálito em moscas.
nossos passos, parelhos
só se chocam em guias.
qdo há sós, no espelho
quem é sombra? e o meio-dia?

Poema de Id Ego - ñ reparem-me os olhos |para igor adorno|


ele, o pai do seu próprio filho
o estrito, estreito, esse do peito
mas ñ mais sozinho
no ar
rarefeito de esculturas
tropeçando no caminho
quebrando a perna
inscrevendo rasuras
um anjo vertical
desses q vivem no claro
ou no x da questão
ou em toda parte
em todo todo
um tanto sim
q só um ñ
um doar-se sem freio
sem dó
|a vaia ñ usa botox|
o riso
de quem se freqüenta o próprio pó
nutrindo o olho gordo à luz constante
noite e dia
seu novo poema velho
talvez vire poema
mas já é poesia
a piada leminskiana
insensação
mas elegância
olhar q é adiante
até se ñ
ainda que rude o maquinário:
um irônico crônico
lúbrico e lubrificado
brega como o diabo
no seu peito oco: trocados
de um amor q esvazia o vão
pulsar sobre o entulho da vida?
sei lá
perguntem às flores q surgirão