domingo, fevereiro 20, 2011

Ária

ela é tão aérea
esfera de fina matéria
tão etérea que os otários
lhe são meros corolários.

desintegra itinerários
corações e até artérias
lhe são meros tributários

habitando o imaginário
bicho raro da Aquária
reduziu-me a sem salário.

meu viver, já tão precário
num deserto maquinário
vai a míngua, tolo pária:
ontem, galo de aviário
hoje triste, dromedário.

um trevo.

um trevo na treva.
me atrevo?
sigo através.
a via turva é na trave.
vou de trova e trovoada.

terça-feira, janeiro 18, 2011

Coral II

O Sol que escorre em tua pele
Se derrama na retina.
Não há véu, nublado céu, sequer cortina
que impeça, toque ou meça
a luz que o peito me atravessa
e tua marca em mim assina.
Casca tensa que meu olho masca
degustando tua presença,
tua pele, travesseiro da promessa
é onde cessa o eu que pensa.

Saudades

Te ver de longe
é como se alojar num bonde
e ver a vida passar

pela janela: ela, ela, ela, ela, ela...

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Paixão

se não apareço
vc desaparece
e, em silêncio deseja
a quem quer que seja
o que o peito festeja:
que eu te cale em tua prece?
Então, acredite, você sofre
do que me adoece.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Pagão

com a mente plena e sã
percebo q era coisa vã

o meu afã.
o q no peito se fez imã
é da matéria-prima

q nos gere a sina
é laço de irmão e irmã.

Tédio

Tarde lenta, sem remédio.
O tempo, em tédio.
fez-me assédio.

Brás Cubas

gota a gota
esgotou-se o tempo
a pulsar em minha têmpora
agora, sem tempero

me come a terra
por inteiro.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Schoenberg

Ela se foi
Nosso caminho não deu em Roma
Não a vejo de onde estou
Acho q se foi com a onda
Mas não esqueço dessa dona:

deixou-me o coração em coma.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Poema da Virada (pra virar um coração)


mais um ano se esvaiu
nada além, porém, se viu.
tudo o q passou
ninguém acertou
como se previu.
mas no peito nunca cabe
q verdades não se sabe.
duvidar é nosso ardil
.

Ecce homo (para a musa desatenta)

a vida, se ingênua, não é pura.
tolerância, paciência, gente burra
não navegam, são só âncora.
se seu mundo se apieda do seu erro
a pureza é condená-los, sem mistério.
homem puro: quem comete o adultério
de, num mundo sem critério,
insistir que o levem à sério.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Fire

q ninguém se atreva!
a chama dela, minha labareda.
o corpo em riste, a alma acesa
num fogo q jamais se extinga
ardendo nas pontas das nossas linguas.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Você me afeta

A vida é breve
O fim do inverno pro floco de neve.
A nave gira, o ovo gera, a vida gora.
Não importa quem parte
ou quem mora.
A vida chega e começa air embora.
Me disse um velho chegando ao pódio:
"Nascer é ativar a bomba relógio.
Estopim: açúcar, às vezes sódio"
A vida, me disse, é ter alguém que te afete.
Será a resposta algo além
que ter alguém que me interprete?

quarta-feira, junho 16, 2010

anti-epitáfio de um quase-amor

O fim é tanto. Quase esqueço
que bem mais é um recomeço.
Então, que o fim do que fomos
-esse avesso-
seja inteiro, não em tomos
e nos dê acesso
ao que não sou nem és,
mas somos.

sexta-feira, março 19, 2010

O MISTÉRIO DO CORAÇÃO NA VITRINE

Um crime.
Observei e, se movendo, tranquila e firme,
seu corpo disse o que não se exprime.

-Passional. Como num filme,
expôs o peito numa vitrine.
Mas, sem forma ou som,
de quem desconfiar?

Elementar,
meu caro Watson...
Verine.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

nada novo sob o sol

o alicerce lógico do soteropolitano é a pobreza.
nosso metro, a inveja.
nosso objetivo transcendental, entre ser e parecer: enriquecer.
nossos meios: meios termos.
nossa felicidade tem dentes cariados.
para além disso, nada novo sob o sol.

sexta-feira, novembro 13, 2009

Pretensões (às Charlatinhas e Charlatões)

Minha poesia não quer comer ninguém (ainda q eu queira)
nem salvar o mundo (nem mesmo alguém)
nem contribuir estéticamente
(ou obstruir estáticamente)
nem elogiar
nem negligenciar
nem expressar sentimentos
nem afiar ressentimentos
nem fama
nem plumas e paetês
nem grana
nem dizer os por quês
nem guiar operários
nem cumprir metas
ou itinerários
ela não quer ser nada.
e é tudo.

quinta-feira, novembro 05, 2009

Fernanda Santiago (Poema de Amor)

tudo que te escrevo perece
(nenhum poema, meu, te merece)
mas sei do que minha alma carece:
silencio paz (e prece?)

talvez, um dia, eu regresse.

sábado, outubro 03, 2009

tô amando. ah!!

temendo: eu.
me tomando: ela.
tô moído, seu
aqui e a colar
pedaços
a pisar seus passos
a perder e recuper
ar
- me
em seu abraço
de tamanduá.

quinta-feira, março 12, 2009